USOS


Destinado a celebrar o progresso econômico do Estado de São Paulo, permitindo à população entrar em contato com as últimas conquistas da tecnologia e da produção, o Palácio das Indústrias, ainda durante a fase de execução, incorporou um uso imprevisto, passando a desempenhar as funções de "Centro de Artes", ao abrigar ateliês de vários escultores.

Estúdio - Rigoletto Mattei - 1925


Por intermédio de Ramos de Azevedo, grande admirador das artes plásticas, instalaram-se no Palácio: Oreste Mantovani, Nicola Rollo, Victor Brecheret, Adolfo Rollo, Van Emelen e Rigoletto Mattei, reunindo um grande número de discípulos a seu redor, que posteriormente seriam escultores muitas vezes premiados nos salões de artes plásticas.


Estúdio do escultor Rigoletto Mattei, 1925.

Grupo Escultórico PROGRESSO

Além dos trabalhos escultóricos destinados ao próprio Palácio, como o grupo escultórico "Progresso", de autoria de Nicola Rollo, foram ali executadas, maquetes para monumentos como a do Monumento aos Irmãos Andradas, de autoria de Nicola Rollo, a do Monumento às Bandeiras, de Brecheret, esculturas sacras para a lgreja de São Bento, de autoria de Van Emelen, que lá também executou as 4 estátuas para a Bolsa de Santos, representando a Agricultura, a Indústria, a Navegação e o Comércio.

Algumas exposições artísticas dariam, posteriormente, continuidade a esse espírito. A primeira delas foi a Exposição de Maquetes para o Monumento do Ipiranga, concurso que teve grande impacto na cidade, sendo acompanhado com grande interesse pelo público em geral e encerrando-se a 31 de março de 1920 com a vitória de E. Ximenes.

Merece destaque, ainda, a I Exposição Geral de Belas-Artes, que teria lugar no Palácio das lndústrias em 1922, ano da famosa Semana de Arte Moderna, abrigando os artistas de menor renda, que não faziam parte da elite modernista, proveniente da aristocracia rural.

Tendo sua pedra fundamental lançada por Albuquerque Lins, no dia 24 de maio de 1911, o Palácio da Indústrias foi oficialmente inaugurado na gestão de Washington Luís a 29 de abril de 1924.

I Exposição Industrial da Cidade de São Paulo

Em 1917, ainda inacabado, abrigava a I Exposição Industrial da Cidade de São Paulo, com a participação das principais indústrias do município, que tiveram grande desenvolvimento no período da Primeira Guerra Mundial.

Em 1920, a III Exposição Industrial de São Paulo, com a presença de empresas como Matarazzo, Vitaliano Michelini, Lacta, Falchi & Papini, Casa Alemã, Mappin Stores, Máquinas Singer, Cotonifício Rodolfo Crespi, Antarctica Paulista, Casa Nathan, Salus, Instituto Butantã, entre outros, teve uma visitação superior a 100.000 pessoas, inaugurando a iluminação elétrica interna e externa do edifício, anteriormente iluminado por lampeões a gás.

A evolução progressiva do mercado automobilístico paulista, iniciada nesse período, também se fez presente em cinco exposições no Palácio, de 1923 a 1927.

A popularização do novo meio de transporte, até então restrito a poucos exemplares importados e montados aqui por particulares, ganha impulso a partir de 1920, quando a Ford é autorizada a montar aqui seus veículos, sendo governador do Estado Washington Luis, futuramente apelidado "Presidente Estradeiro".

Na II Exposição de Automobilismo e Rodoviação do Brasil, realizada em 1924 no Palácio das Indústrias, a Ford exibiu ao vivo uma linha de montagem, de onde saiam montados em poucos minutos os famosos "fordecos de bigode".

Após chegar ao auge, em 1925, com a instalação da General Motors Brasileira S/A no bairro do Ipiranga, o setor seria fortemente abalado com a crise de 1929, só alcançando patamares de evolução equivalentes a esse período no governo de Juscelino Kubitschek.

Vale ressaltar que a grande arrancada industrial de São Paulo, iniciada com a substituição de importações a partir de 1914, persiste na década de 30, respondendo à crise de 29 com a diversificação dos ramos de produção e a criação de indústrias, como alternativa para aplicação do capital deslocado pelos grandes cafeicultores.

Ao iniciar-se a década de 30, com o desmembramento da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio, o Palácio, que, na verdade, também já não comportava o crescente número de expositores, foi herdado pelo Departamento Estadual do Trabalho, passando a abrigar suas repartições, enquanto as exposições ocupam toda a àrea do Parque.

Também por essa ocasião, com o crescimento da produção no setor pecuarista, as exposições e mostras de animais deixam definitivamente o Palácio das Indústrias, para ocupar instalações mais amplas no Parque da Água Branca, inaugurado em 1929.

Em 1937, a Exposição Comemorativa do Cinquentenário da Imigração Oficial no Estado de São Paulo marcou época, ocupando todo o Parque D. Pedro II, da Rua do Gasômetro até a Avenida Rangel Pestana, tendo como proposta oferecer à população um mosaico de todo o universo "agrícola-industrial-artístico-histórico" do Estado.

Trazendo, além dos pavilhões oficiais dos governos federal, estadual e municipal, os das colônias Japonesa e Italiana e vários pavilhões particulares, fontes luminosas, cinema, bar, restaurante, parque de diversões e até um "Music Hall", ela criou um novo padrão, instituindo esses atrativos como elementos de presença obrigatória para o sucesso das exposições subsequentes.

Assembléia LegislativaCom o fim do Estado Novo o Palácio passa a abrigar, a partir de 1947, a Assembléia Legislativa, sendo rebatizado como Palácio 9 de Julho e perdendo todas as características arquitetônicas internas de um edifício para exposições: os estábulos são destruídos, surgem as divisórias etc.

O próprio Escritório Técnico Severo Villares - herdeiros de Ramos de Azevedo - executou as obras de transformação do Palácio em Câmara dos Deputados. A despeito do nobre uso a má apropriação dos espaços somada à falta de manutenção adequada favoreceu um rápido processo de deterioração, que, com a transferência da Câmara para o lbirapuera, seria ainda mais acelerado, à medida que o antigo Palácio das Indústrias passou a abrigar de tudo um pouco: destacamentos do Corpo de Bombeiros, Delegacia de Estrangeiros e repartições policiais.

Curiosamente, alguns dos sucessores do antigo Palácio das Indústrias, criados com o Parque lbirapuera por ocasião das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo (Palácio das Indústrias, das Nações, das Artes e dos Estados), teriam destino semelhante ao seu, com o espaço originalmente concebido para exposição do contínuo crescimento da indústria e das artes sendo ocupado por funções administrativas.

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