ORIGEM E COMPOSIÇÃO


O Palácio das Indústrias teve como autor o arquiteto italiano Domiziano Rossi, do Escritório Ramos de Azevedo. Para criar este edifício ele se inspirou numa famosa obra do arquiteto Gino Coppedé , também italiano. Trata-se do castelo Mackenzie, residência projetada entre 1897 e 1904 para um rico cidadão escocês radicado em Gênova.

desenho do Palácio

O Palácio das Indústrias mostra a Arquitetura Eclética.

Todo o ecletismo do castelo Mackenzie, que tem por modelo os castelos toscanos, foi traduzido por Rossi em seu projeto paulistano.

Palácio das Indústrias - 1922

Vista do Palácio das Indústrias, em meados de 1.922

O Palácio das Indústrias mescla basicamente o aspecto rude das fortalezas toscanas dos Trezentos com detalhes decorativos palacianos da Primeira Renascença Florentina. Além disso, estão presentes detalhes construtivo-ornamentais de outras origens: a torre de aparência esguia é, tanto no protótipo italiano quanto no Palácio das Indústrias, inspirada na torre del Mangio, de Siena.

Rossi acrescenta, ainda, um dispositivo característico da arquitetura religiosa: o claustro. No projeto definitivo acaba por introduzir três faróis elétricos, numa clara alusão à modernidade.

O Palácio das Indústrias foi tido, portanto, como obra de arquitetura e não, como era comum acontecer no século XIX em pavilhões de exposições, como obra de engenharia. Seu tratamento é puramente arquitetônico, sem malabarismos ou ineditismos estruturais (a estrutura metálica existente é toda pela alvenaria). Por outro lado, as convenções do Ecletismo maduro permitiram o uso de um estilo incomum e a adoção de soluções bastante pitorescas, o que seria inadmissível em edifícios públicos que abrigassem funções de caráter burocrático e oficial.

Rossi conferiu ao edifício um caráter a um só tempo monumental celebrativo do progresso econômico atingido então pelo Estado de São Paulo, e rústico, próprio de um palácio de exposições destinado a mostras temporárias de produtos agroindustriais. Graças ao cunho festivo dos eventos aí realizados, a solução encontrada é plena de sentimento romântico com assimetrias e decoração intrincada e pitoresca.

A composição geral do complexo articula-se em torno da massa principal de grande altura, cuja pureza geométrica é ofuscada pela presença de vários elementos arquitetônicos a ela agregados (pórticos, torreões, terraços, pináculos, beirais etc.). Como corpos secundários de um só pavimento surgem: o bloco severo nitidamente geométrico do claustro, ao norte; a ala envidraçada que se projeta a oeste, provida originalmente de um pequeno pavilhão terminal e outros dois corpos paralelos que, transversais a essa mesma ala, partem em direção ao norte, do lado posterior do edifício.

Os corpos térreos que se lançam para longe da massa principal atuam como uma base de uma pirâmide ideal, que ganha altura à proporção que torreões e terraços se colocam de maneira escalonada junto ao núcleo central da edificação. As linhas ascensionais, claramente perceptíveis de qualquer ângulo de observação à volta do edifício, convergem claramente para o simbólico farol elétrico, postado no alto da esguia torre, que constitui o centro de interesse de toda a composição.

A hierarquização dos volumes externos corresponde a distribuição dos espaços internos, conforme a relevância das suas funções. Não só a volumetria, mas também os elementos decorativos explicitam essa ordenação funcional.

No corpo central, sobrecarregado de ornatos, relevos e grupos escultóricos, reúne-se a parte nobre do edifício. A ala oeste, abrigava primitivamente exposições de animais; o pavilhão terminal dessa mesma ala era um aprisco e os corpos posteriores, cavalariças e estrebarias (aqui sóbrias molduras nas janelas, cimalhas de tijolos aparentes e mãos-francesas a sustentar os beirais são os únicos recursos de decoração). Quanto ao claustro, de aparência exterior quase militar, é dotado de atmosfera bastante poética, sendo destinado a abrigar estandes de exposição. Contudo, é fácil verificar que sua principal função era de fato a contemplativa. Paralelamente aos corredores, passagens de início descobertas providas de bancos possibilitavam a calma apreciação do jardim, cujo centro é até hoje realçado por um poço de aspecto sobremodo evocativo.

Já no tempo de sua edificação vinha o Palácio sofrendo acréscimos e modificações, sobretudo depois de 1947, supõe-se, quando passou a ser ocupado pela Assembléia Legislativa Estadual. Algumas dessas alterações só aviltaram o edifício. Por outro lado, das adições que se integraram perfeitamente, podemos citar a sineira, incluida por volta de 1922, após a morte do autor do projeto . A sineira é um detalhe que além de pertencer ao repertório medievalizante adotado pelo projetista, teve a virtude de acentuar o perfil escalonado característico da construção. Igual efeito produziu o acréscimo tardio que unificou ao corpo principal o torreão isolado que se erguia sobre a ala oeste, também ele externamente modificado. O telhado independente da parte recente, alteado em relação ao torreão preexistente, veio reforçar a volumetria ascensional do conjunto.

Outros acréscimos podem ainda ser facilmente detectados num confronto com o projeto original e alguns, por contrariarem as diretrizes originais de composição, devem ser desfeitos em qualquer hipótese de reutilização do Palácio das lndústrias (acréscimos no interior do claustro por exemplo, ou o lanternim existente no terraço da cobertura, aos fundos), enquanto outros, por seguirem a mesma linguagem arquitetônica do projeto primitivo, podem ser conservados sem causar graves prejuízos estéticos para o conjunto arquitetônico monumental.

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