HISTÓRICO


A partir de 1910, com a expansão da malha urbana do Centro e a urgência de urbanizar-se o Vale do Anhangabaú, com o Teatro Municipal já em fase de conclusão, são levadas várias propostas para "Melhoramentos da Cidade de São Paulo", seguindo as tendências da "Belle Époque".

Em 1911, convidado pelo prefeito Raimundo Duprat para examinar essas propostas, o arquiteto francês Bouvard sugere a implantação de dois grandes parques nos moldes dos parisienses "Bois de Boulogne" e "Bois de Vincennes": um sobre o Vale do Anhangabaú e outro sobre a Várzea do Carmo.

A proposta de Bouvard já trazia o Palácio das Indústrias no local onde se encontra. O anteprojeto do edifício, com suas linhas arquitetônicas já definitivas, fôra concebido no ano anterior, pelo arquiteto italiano Domiziario Rossi.

O parque concebido por Bouvard tem seu traçado marcado por uma interpretação francesa do jardim naturalista inglês, mesclando o informalismo do traçado orgânico com a rigidez e grandiosidade do espaço barroco: o jardim é recortado por passeios sinuosos, com gramados irregulares, com pequenos grupos arbóreos e árvores isoladas, tendo canteiros simétricos em frente ao Palácio.

O projeto de Bouvard foi desenvolvido por outro arquiteto francês, Couchet, incluindo, além do Palácio destinado a exposições, inúmeros equipamentos de esporte e lazer. Parcialmente realizado, ele teria, entretanto, uma execução muito lenta.

Diante da dificuldade de arrecadação de recursos, sugeriu-se que a Várzea fosse dividida em 25 partes e com a venda de 24 delas seria possível construir-se, na 25a.- o parque - com uma área de 451.800 m2.

Os demais lotes foram vendidos, principalmente, à colônia síria, dando origem ao comércio atacadista da Rua 25 de Março e imediações.

O canal do rio Tamanduateí e uma rede subterrânea complexa, que drenava o terreno alagadiço, foram concluídos em 1921, ajardinando-se a várzea.

Em 1922, por ocasião do traslado dos restos mortais de D. Pedro II ao Brasil, o parque recebeu sua denominação atual, subsistindo como área de lazer da população do Brás, em sua maioria imigrantes italianos e operários das indústrias vizinhas, até a década de 30, quando é em parte sacrificado pelo "Plano das Avenidas" de Prestes Maia.

Convivendo apenas com o transporte a pé, a cavalo e de canoa, nos tempos de vila portuguesa, São Paulo, mesmo ao receber o trem e o bonde da cidade francesa do fim do séc.XIX, é uma cidade da contemplação. Com a chegada dos automóveis, o quadro se modifica radicalmente: na cidade moderna, tudo é circulação, velocidade e deslocamento.

O plano de Prestes Maia, sobrepõe à cidade uma estrutura viária formada por vias radiais e perimetrais que propiciam uma melhor integração das partes da cidade e oferecem suporte a uma expansão igualitária em todas as direções, porém, deste plano só foram implantados o anel central e algumas radiais nos anos 40, e São Paulo, até hoje, estampa todas as desigualdades anunciadas na implantação da estrada de ferro.

Atualmente, ao seccionamento do tecido urbano pela estrada de ferro e à permanência das enchentes soma-se ainda: o tamponamento do rio Tamanduateí, que por quilômetros corta a cidade carreando um tráfego pesado de passagem pelo centro da cidade; a terciarização e obsolescência de velhas instalações industriais, acarretando seu esvaziamento e a inadequada permanência de uma zona atacadista junta ao Parque D.Pedro II, herança dos tempos da Várzea do Carmo como porto, chegada da cidade, quando isso hoje se daria nos entroncamentos rodoviários das periferias.

Esses fatores constituem pesada barreira a bloquear a expansão do centro de São Paulo. Este, acompanhando uma eficiente estrutura viária, se expande numa única direção - para sudoeste, levando não só o Parque D.Pedro II, mas toda a área do centro histórico a funcionar como fronteira dessa região equipada com áreas comerciais, ofertas de empregos e de serviços. Ao mesmo tempo, o centro funciona ainda como articulação única de toda a cidade, de modo que, através dele, a Zona Leste, desestruturada e sem oferta de empregos, drenada pelas radiais, desloca-se maciçamente, saturando vias e meios de transporte, para chegar a esta outra cidade a sudoeste.

O comprometimento do Parque acentuou-se ainda mais com a implantação de pistas da Avenida do Estado ao longo do rio, dentro do próprio Parque. Com a implantação de um grande terminal de ônibus e a construção de um conjunto de viadutos como reforço do anel central de irradiação. O derrame do sistema viário em viadutos sobre o parque provocou o esvaziamento de seu interior e a desestruturação de seu contorno, cuja desfiguração chegou ao auge na década de 70, com a instalação do canteiro de obras do Metrô.

Do projeto original pouco restou: parte do imenso gramado e alguns grupos arbóreos ou espécies isoladas, sem qualquer referencial, uma vez que o desenho original de ruas e caminhos desapareceu.

Na área envoltória, além de um entorno de tecido fragmentado, funcionando como bolsões de carga e descarga, destaca-se a presença de vários edifícios significativos, de grande valor histórico, arquitetônico e ambiental, alguns já protegidos legalmente pela Lei Z8-200 e por tombamento municipal e estadual: o edifício que abriga o Quartel do II Batalhão de Guardas, a Escola Estadual de 1o. e 2o. Grau São Paulo, a Casa das Retortas, o Mercado Municipal, as instalações industriais da COMGAS e vários conjuntos de edificações que margeiam o Parque.

Em 1985, na gestão Mário Covas, a Empresa Municipal de Urbanização monta um projeto para o Parque, propondo a implantação da Prefeitura Municipal no Palácio das Indústrias.

Palácio das Indústrias - HojeEm 1986, na gestão Jânio Quadros, é criado o Grupo Intersecretarial para o Parque D.Pedro II, iniciando-se a recuperação do Parque com a remoção dos canteiros de obra do Metrô, redimensionamento do terminal de ônibus e ajardinamento de algumas áreas.

Em 1989, na gestão Luiza Erundina, o Departamento de Projetos Especiais da Empresa Municipal de Urbanização monta um novo projeto - "Renovação Urbana do Parque D.Pedro II e Entorno", que inclui a instalação da Prefeitura no Palácio das lndústrias.

Neste projeto, o Parque é redesenhado no sentido de se criar um quadro urbano compatível com essa nova função prestigiosa a desempenhar e que se choca frontalmente com o uso da Avenida do Estado como via preferencial de carga e com o uso do solo do entorno.

Em 1991, Luiza Erundina muda o Gabinete do Prefeito, a Secretaria do Governo Municipal e Assessorias, do Pavilhão Manoel da Nóbrega no Parque Ibirapuera, para o Palácio das Indústrias.

HOJE

Em 1997, na gestão Celso Pitta, o Palácio das Indústrias é a sede do Gabinete do Prefeito, da SGM - Secretaria do Governo Municipal, e Assessorias.

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